IP Legal

Tesla corre para registrar marcas após fala de Musk

A Tesla entrou com dois novos pedidos de registro de marca com apenas 37 segundos de diferença, na noite de 28 de janeiro de 2026. As solicitações foram feitas logo após o CEO Elon Musk mencionar novos nomes de produtos durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025. O movimento evidencia uma estratégia reativa da montadora para tentar evitar novos problemas com marcas registradas.

De acordo com registros do Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês), os pedidos foram protocolados às 19:32h e 19:33h no horário local dos Estados Unidos. A conferência de resultados havia começado às 17:30h e terminou poucos minutos antes dos registros serem enviados.

Durante a apresentação aos investidores, Musk comentou que o nome Cybercab vinha gerando confusão por se assemelhar ao termo robotaxi. Ele afirmou ainda que, em alguns estados norte-americanos, a Tesla sequer pode utilizar as palavras “cab” ou “taxi”, o que pode levar a nomes alternativos como Cybercar ou Cybervehicle. Segundo o executivo, o Cybercab é um modelo específico de dois lugares, sem volante nem pedais.

A rapidez dos registros indica que a equipe jurídica da Tesla acompanhava a conferência em tempo real. Assim que Musk mencionou novas denominações, os advogados correram para protocolar os pedidos antes que terceiros o fizessem. Internamente, a prática já é vista como um “registro em modo pânico”.

A reação ocorre após um episódio constrangedor envolvendo o nome Cybercab. Em 10 de outubro de 2024, Musk apresentou publicamente o veículo durante o evento We, Robot. 18 dias depois, em 28 de outubro de 2024, a empresa francesa de bebidas Unibev registrou a marca Cybercab. A Tesla só apresentou seu pedido em novembro de 2024. Em novembro de 2025, o órgão regulador suspendeu a solicitação da montadora, dando prioridade à empresa europeia.

O problema se agravou porque a Tesla também teve negado o registro do termo Robotaxi. O órgão avaliou que a expressão é genérica demais para ser apropriada por uma única empresa do setor automotivo.

Com isso, a montadora ficou em uma situação delicada. Robotaxi não pode ser registrado por ser genérico, enquanto Cybercab está bloqueado por uma empresa que fabrica bebidas. Os novos pedidos de Cybercar e Cybervehicle surgem como uma tentativa de escapar desse impasse.

Especialistas avaliam que esses novos nomes podem enfrentar menos resistência, já que a Tesla possui o registro de Cybertruck. Ainda assim, o uso recorrente do prefixo “Cyber” já foi alvo de análises rigorosas pelo órgão norte-americano em outras ocasiões.

O caso chama atenção pelo contraste com práticas tradicionais do setor. Em grandes fabricantes, o processo costuma ser simples: definir nomes internamente, registrar as marcas e só depois anunciá-las ao público. Na Tesla, o fluxo parece inverso, com declarações públicas improvisadas e ações jurídicas correndo atrás do prejuízo.

O fato de dois pedidos terem sido feitos com apenas 37 segundos de diferença, exatamente no fim de uma teleconferência corporativa, expõe a ausência de uma estratégia coordenada de nomenclatura. Para uma empresa avaliada em centenas de bilhões de dólares, o episódio reforça a percepção de que decisões-chave continuam concentradas no improviso do CEO, enquanto o restante da organização reage em tempo real.

Você não pode copiar conteúdo desta página!